Torá • Bereshit (Gênesis) 18:1–22:24 • Sete aliot • Lições para nossos dias • Yeshua no primeiro século
1. Introdução à Parashá
Vaierá
A Parashá Vaierá significa “E
apareceu” ou “E se fez ver”, expressão que inicia o relato de Bereshit 18:1,
quando ADONAI aparece a Avraham junto aos carvalhos de Mamrê.
Nesta porção da Torá,
encontramos temas fundamentais para a vida de fé: hospitalidade, justiça,
misericórdia, intercessão, responsabilidade moral, cumprimento das promessas,
educação dos filhos e confiança em ADONAI mesmo diante das situações mais
difíceis.
Vaierá também apresenta
acontecimentos marcantes: o anúncio do nascimento de Yitschak, a destruição de
Sedom e Amorá, a preservação de Lot, o nascimento de Yitschak, o conflito
envolvendo Hagar e Ishmael, o teste de Avraham com seu filho e a renovação das
promessas divinas.
Objetivo do shiur:
compreender cada uma das sete aliot em seu contexto bíblico, extrair
ensinamentos para a vida atual e, ao final, estabelecer comparações com os
ensinamentos e a vivência de Yeshua no primeiro século, respeitando tanto as
semelhanças quanto as diferenças entre os textos.
2. As sete aliot da
Parashá Vaierá
1ª Aliá — Bereshit 18:1–14

Tema: Hospitalidade, serviço
e promessa
Resumo
Avraham está sentado à
entrada de sua tenda, no calor do dia, quando percebe a chegada de três
visitantes. Ele corre ao encontro deles, oferece água para lavar os pés,
providencia alimento e mobiliza sua casa para servi-los.
Durante a visita, um dos
visitantes anuncia que Sarah terá um filho, apesar da idade avançada do casal.
Sarah escuta e ri, considerando humanamente impossível aquela promessa. ADONAI,
porém, reafirma que nada é demasiadamente difícil para Ele.
Entendimento
Avraham demonstra que a fé
não se manifesta apenas por palavras ou orações, mas também por atitudes
concretas de acolhimento. Ele não permanece indiferente diante de pessoas que
chegam à sua tenda: levanta-se, corre, organiza o serviço e oferece o melhor
que possui.
A promessa do nascimento de
Yitschak mostra o contraste entre os limites humanos e a capacidade de ADONAI
de realizar seus propósitos. A reação de Sarah também revela que pessoas de fé
podem enfrentar dúvidas diante de circunstâncias aparentemente impossíveis.
Lições para nossos dias
- Praticar a hospitalidade: receber bem,
ajudar e acolher quem necessita de atenção.
- Transformar fé em serviço: a
espiritualidade deve produzir atitudes de bondade.
- Não limitar ADONAI às possibilidades
humanas: o impossível para nós não significa necessariamente que a
promessa divina tenha falhado.
- Exercer a fé com humildade: podemos apresentar
nossas dúvidas a ADONAI sem abandonar a confiança nele.
A verdadeira hospitalidade
não depende de riqueza, mas de disposição para servir.
2ª Aliá — Bereshit
18:15–33

Tema: Justiça, misericórdia e
intercessão
Resumo
Sarah nega ter rido, mas
ADONAI reafirma o ocorrido. Em seguida, Avraham acompanha os visitantes, e
ADONAI revela o juízo que virá sobre Sedom e Amorá por causa de sua grande
maldade.
Avraham pergunta se o justo
será destruído juntamente com o perverso. Ele começa intercedendo por cinquenta
justos e prossegue até dez, suplicando que a cidade seja poupada caso ali sejam
encontrados dez justos.
Entendimento
Avraham não aceita tratar a
justiça divina como uma punição indiscriminada. Ele pergunta sobre a diferença
entre o justo e o perverso e apela ao caráter do próprio Juiz de toda a terra.
Sua intercessão não significa
que ele negue a gravidade do mal. Pelo contrário, Avraham procura compreender
como a justiça e a misericórdia podem coexistir.
O texto também apresenta uma
característica importante da relação entre ADONAI e Avraham: ele é chamado a
conhecer o caminho de ADONAI e a ensinar sua casa a praticar justiça e retidão
(Bereshit 18:19).
Lições para nossos dias
- Interceder por pessoas, famílias e
comunidades, inclusive por aquelas que precisam mudar.
- Não confundir misericórdia com
aprovação da injustiça.
- Exigir justiça sem perder a compaixão.
- Educar os filhos pelo exemplo,
ensinando retidão, honestidade e responsabilidade.
- Reconhecer que a corrupção moral de
uma sociedade não deve ser tratada com indiferença.
Reflexão: a pessoa que anda
com ADONAI não deve desejar apenas a própria salvação; deve também se preocupar
com a justiça e o bem-estar de outras pessoas.
3ª Aliá — Bereshit 19:1–20

Tema: A corrupção de uma
sociedade e a responsabilidade de agir
Resumo
Dois mensageiros chegam a
Sedom, e Lot os recebe em sua casa. Durante a noite, homens da cidade cercam a
residência e demonstram intenções violentas contra os visitantes. Lot tenta
protegê-los, mas sua própria conduta também revela graves falhas morais.
Os mensageiros intervêm,
ferem os agressores com cegueira e avisam Lot de que a cidade será destruída.
Ele recebe a orientação de reunir sua família e sair daquele lugar.
Entendimento
O relato apresenta uma
sociedade na qual a violência, a humilhação do estrangeiro e a violação da
dignidade humana se tornaram práticas coletivas.
É importante observar que a
Torá não descreve apenas uma cidade com problemas individuais, mas uma
comunidade cuja maldade se manifesta publicamente. Em outras passagens
bíblicas, a injustiça social de Sedom também é denunciada, como em Ezequiel
16:49-50, que menciona orgulho, abundância e negligência dos pobres e
necessitados.
A atitude de Lot ao receber
os visitantes demonstra hospitalidade, mas sua proposta de entregar as próprias
filhas à multidão é moralmente condenável. O texto não deve ser usado para
justificar a violência contra mulheres ou qualquer pessoa vulnerável.
Lições para nossos dias
- Não normalizar a violência, mesmo
quando ela é praticada pela maioria.
- Proteger estrangeiros, visitantes e
pessoas vulneráveis.
- Entender que hospitalidade deve estar
acompanhada de justiça.
- Não confundir os costumes de uma
sociedade com aquilo que é moralmente correto.
- Reconhecer que a omissão diante do
abuso também contribui para a perpetuação do mal.
Aplicação: uma comunidade
verdadeiramente comprometida com ADONAI deve proteger os vulneráveis, combater
a violência e não permitir que a injustiça se transforme em cultura.
4ª Aliá — Bereshit
19:21–21:4

Tema: Juízo, livramento e
fidelidade às promessas
Resumo
Lot e sua família deixam
Sedom. A cidade e Amorá são destruídas, e a esposa de Lot olha para trás,
tornando-se uma coluna de sal, conforme o relato bíblico.
Depois, o texto apresenta os
acontecimentos envolvendo Lot e suas filhas, que dão origem a Moav e Amon. A
narrativa segue para Avraham em Gerar, onde Sarah é levada para a casa de
Avimelech após ser apresentada como irmã de Avraham. ADONAI intervém e impede
que Avimelech a tome como esposa.
Finalmente, a promessa se
cumpre: Sarah dá à luz Yitschak quando Avraham tem cem anos, e o menino é
circuncidado aos oito dias, conforme a aliança estabelecida em Bereshit 17.
Entendimento
Esta aliá reúne
acontecimentos difíceis e contrastantes. De um lado, encontramos destruição,
medo e decisões humanas questionáveis; de outro, vemos a preservação da vida e
o cumprimento da promessa.
O nascimento de Yitschak
mostra que o futuro da família de Avraham não depende apenas das circunstâncias
naturais, mas da fidelidade de ADONAI à sua palavra.
O episódio de Avraham e Sarah
em Gerar também exige reflexão: a narrativa registra o medo de Avraham e sua
tentativa de se proteger. Isso nos lembra que os personagens bíblicos não são
apresentados como pessoas sem falhas.
A Torá registra tanto os atos
de fidelidade quanto os erros daqueles que caminham com ADONAI.
Lições para nossos dias
- Aprender com os erros, em vez de
idealizar os personagens bíblicos.
- Não permitir que o medo governe nossas
decisões.
- Compreender que as escolhas humanas
produzem consequências.
- Valorizar a família, a aliança e a
responsabilidade de transmitir a fé às próximas gerações.
- Confiar que o cumprimento das
promessas divinas não depende de nossa capacidade de controlar todas as
circunstâncias.
Aplicação: a fé madura não
consiste em nunca errar, mas em reconhecer nossas falhas, corrigir nossos
caminhos e continuar buscando a vontade de ADONAI.
5ª Aliá — Bereshit 21:5–21

Tema: O Deus que ouve o
clamor dos aflitos
Resumo
Yitschak cresce, e Avraham
realiza uma celebração por ocasião de seu desmame. Sarah vê Ishmael, filho de
Hagar, e pede que Avraham mande embora a serva e seu filho.
Avraham fica profundamente
angustiado, mas ADONAI lhe orienta a atender à questão relacionada à
continuidade da promessa por meio de Yitschak, assegurando também que Ishmael
se tornará uma nação.
Hagar e Ishmael partem para o
deserto. Quando a água acaba, Hagar se desespera diante da possibilidade de
perder o filho. ADONAI ouve o clamor do menino, envia seu mensageiro e mostra a
Hagar um poço de água. Ishmael sobrevive e cresce no deserto.
Entendimento
O texto distingue a linhagem
da promessa da aliança de Yitschak da preservação de Ishmael. A escolha de
Yitschak para a continuidade da promessa não significa que ADONAI abandone
Ishmael.
Pelo contrário, a narrativa
enfatiza que ADONAI ouve o sofrimento do menino e cuida de sua sobrevivência.
A história de Hagar revela a
vulnerabilidade de uma mulher e de uma criança em uma situação de abandono. O
relato não deve ser interpretado como uma autorização geral para expulsar
pessoas da família ou negligenciar os necessitados.
A promessa feita a Avraham
inclui a preservação de Ishmael, demonstrando que a escolha de um caminho
específico para a aliança não elimina a responsabilidade divina com outras
vidas.
Lições para nossos dias
- Não desprezar pessoas que estão fora
do nosso círculo familiar ou religioso.
- Dar atenção às crianças e às pessoas
que enfrentam abandono.
- Entender que o sofrimento de alguém
não passa despercebido diante de ADONAI.
- Não transformar diferenças de origem
ou de trajetória em motivo de hostilidade.
- Buscar soluções que protejam os
vulneráveis e respeitem sua dignidade.
Aplicação: quando uma pessoa
parece não ter mais saída, devemos procurar maneiras concretas de ajudar. Assim
como Hagar recebeu a possibilidade de continuar vivendo, também podemos ser
instrumentos de cuidado para quem sofre.
6ª Aliá — Bereshit
21:22–34

Tema: Paz, honestidade e
convivência entre povos
Resumo
Avimelech e seu comandante
Pichol procuram Avraham, reconhecendo que ADONAI está com ele. Eles propõem um
acordo de convivência e pedem que Avraham aja com honestidade para com eles e
suas futuras gerações.
Avraham, porém, apresenta uma
reclamação sobre um poço que havia sido tomado pelos servos de Avimelech. Os
dois tratam da questão e estabelecem um pacto em Beer-Sheva. Avraham oferece
sete cordeiras como testemunho relacionado à posse do poço e invoca o nome de
ADONAI, o Deus eterno.
Entendimento
A aliança entre Avraham e
Avimelech mostra que a fé não exige isolamento social. Avraham mantém sua
identidade e sua relação com ADONAI, mas também procura estabelecer acordos com
pessoas de outros povos.
A paz construída no relato
não depende de ignorar os conflitos. Antes do acordo, Avraham expõe o problema
do poço, procurando esclarecer a situação e estabelecer uma solução.
A passagem apresenta um
princípio importante: a paz duradoura precisa ser acompanhada de justiça,
clareza e compromisso mútuo.
Lições para nossos dias
- Resolver conflitos por meio do diálogo
sempre que possível.
- Cumprir os acordos assumidos.
- Defender os próprios direitos sem
abandonar a honestidade.
- Respeitar pessoas de outras origens e
crenças.
- Trabalhar pela paz sem esconder
injustiças que precisam ser corrigidas.
Aplicação: uma pessoa de fé
deve ser reconhecida não apenas por suas orações, mas também pela honestidade
com que negocia, trabalha e convive com outras pessoas.
7ª Aliá — Bereshit 22:1–24

Tema: Akeidat Yitschak —
confiança, obediência e provisão
Resumo
ADONAI coloca Avraham à prova
e lhe ordena que leve Yitschak à terra de Moriá para oferecê-lo em holocausto.
Avraham parte com seu filho e dois servos. Durante a caminhada, Yitschak
pergunta onde está o cordeiro para a oferta.
Avraham responde que ADONAI
proverá o animal. No local indicado, Avraham prepara o altar, coloca Yitschak
sobre a lenha e estende a mão para pegar o instrumento do sacrifício. Um
mensageiro de ADONAI o interrompe, impedindo que o menino seja ferido.
Avraham vê um carneiro preso
pelos chifres em um arbusto e o oferece em lugar de seu filho. Ele chama aquele
lugar de Adonai Yirê — “ADONAI proverá” ou “ADONAI verá/proverá”, conforme a
compreensão da expressão hebraica. O relato termina com a reafirmação das
promessas de descendência e bênção.
Entendimento
A passagem é uma das
narrativas mais difíceis e profundas da Torá. Ela coloca diante do leitor
questões sobre obediência, confiança, promessa e vida humana.
O desfecho é essencial:
Avraham é impedido de sacrificar Yitschak, e um animal é oferecido em seu
lugar. O texto não autoriza o sacrifício de crianças nem oferece fundamento
para que alguém alegue ter recebido permissão divina para ferir outra pessoa.
O episódio deve ser lido em
sua singularidade, dentro da narrativa da aliança com Avraham. Não é uma ordem
geral para que os pais provem sua fé colocando seus filhos em perigo.
Yitschak é o filho da
promessa, e sua preservação reafirma que o propósito de ADONAI continua. A
provisão do carneiro mostra que a história termina não com a morte do menino,
mas com sua preservação.
Lições para nossos dias
- Confiar em ADONAI mesmo quando não
compreendemos plenamente o caminho.
- Não confundir fé com imprudência ou
violência.
- Proteger a vida e rejeitar qualquer
tentativa de justificar abusos em nome da religião.
- Reconhecer que a fé verdadeira deve
ser acompanhada de responsabilidade moral.
- Lembrar que nossas promessas e
esperanças não nos autorizam a colocar outras pessoas em risco.
Aplicação: a confiança em
ADONAI deve caminhar junto com a reverência pela vida. O encerramento dessa
narrativa é decisivo: Yitschak não é sacrificado, e a provisão aparece no
momento crítico.
A história completa da
Parashá Vaierá, incluindo a divisão das sete aliot, pode ser conferida na
leitura de Bereshit 18:1–22:24.
3. Os grandes ensinamentos
da Parashá Vaierá
Ao observar as sete aliot,
percebemos que Vaierá não trata apenas de acontecimentos extraordinários na
vida de Avraham. Ela apresenta princípios que devem orientar a vida cotidiana
de quem deseja andar nos caminhos de ADONAI.
1. A fé precisa produzir boas
obras
Avraham acolhe os visitantes,
oferece alimento e coloca sua casa a serviço de outras pessoas. A fé não pode
permanecer apenas no discurso; deve manifestar-se em atitudes concretas.
2. Justiça e misericórdia
devem caminhar juntas
A intercessão de Avraham por
Sedom revela sua preocupação com os justos e com o destino de uma cidade. O
compromisso com ADONAI inclui a preocupação com a justiça na sociedade.
3. A responsabilidade com os
vulneráveis é fundamental
O sofrimento de Hagar e
Ishmael nos ensina a olhar para quem está abandonado. A fé não deve produzir
desprezo, mas compaixão e cuidado.
4. A paz exige honestidade
O acordo entre Avraham e
Avimelech mostra que conflitos podem ser tratados por meio do diálogo, do
reconhecimento dos direitos e do compromisso com a palavra dada.
5. A confiança em ADONAI não
dispensa a responsabilidade moral
A prova de Avraham deve ser
compreendida em seu contexto singular. A preservação de Yitschak é parte
central do desfecho, e a narrativa não pode servir de justificativa para
violência ou sacrifício humano.
4. Vaierá e os
ensinamentos de Yeshua no primeiro século
Para fazer essa comparação,
precisamos considerar o contexto judaico de Yeshua. Ele ensinou entre o povo de
Israel, utilizando as Escrituras de Israel, dialogando com as questões morais
de seu tempo e chamando seus ouvintes a viverem a vontade de ADONAI.
Não precisamos apagar as
diferenças entre os textos para reconhecer os princípios que eles compartilham.
1. A hospitalidade de
Avraham e o acolhimento ensinado por Yeshua
Na Torá: em Bereshit 18:1–8,
Avraham acolhe os visitantes e lhes oferece alimento e descanso.
Nos ensinamentos de Yeshua:
em Mateus 25:35–40, o acolhimento do estrangeiro, o alimento oferecido ao
faminto e o cuidado com o necessitado são apresentados como expressões
concretas de responsabilidade diante de Deus. Em Lucas 14:12–14, Yeshua também
ensina a convidar aqueles que não podem retribuir o benefício recebido.
Comparação: Avraham não
espera receber algo em troca para servir. Yeshua ensina que a bondade não deve
depender da recompensa ou da posição social de quem recebe nossa ajuda.
Lição para hoje: receber bem,
alimentar quem tem fome e ajudar quem necessita são atitudes que dão expressão
prática à fé.
2. A intercessão de
Avraham e a misericórdia ensinada por Yeshua
Na Torá: em Bereshit
18:23–33, Avraham intercede por Sedom e questiona como o Juiz de toda a terra
poderia tratar o justo como o perverso.
Nos ensinamentos de Yeshua:
em Mateus 5:7, a misericórdia é apresentada como uma característica daqueles
que desejam viver de acordo com o Reino dos Céus. Em Lucas 6:36, Yeshua chama
seus discípulos a serem misericordiosos, assim como o Pai é misericordioso.
Comparação: Avraham demonstra
preocupação com o destino de outras pessoas, mesmo quando a cidade está marcada
pela maldade. Yeshua ensina que seus discípulos não devem cultivar um coração indiferente
ao sofrimento alheio.
Isso não significa ignorar a
justiça ou considerar o mal aceitável. Significa desejar a correção, a
transformação e a preservação da vida sempre que possível.
Lição para hoje: não basta
condenar os erros de uma sociedade; também precisamos trabalhar pela justiça,
pela misericórdia e pela transformação das pessoas.
3. O juízo sobre Sedom e a
responsabilidade pelas próprias atitudes
Na Torá: Bereshit 19
apresenta uma cidade marcada pela violência e pela degradação moral.
Nos ensinamentos de Yeshua:
em Mateus 11:23–24, Yeshua menciona Sedom ao advertir cidades que, apesar de
presenciarem grandes obras, não se arrependiam. Em Lucas 17:28–30, ele também
recorda os dias de Lot ao falar sobre a necessidade de estar preparado para o
juízo.
Comparação: a história de
Sedom funciona, nos dois contextos, como uma advertência contra a indiferença
diante do mal e contra a falsa segurança de quem acredita que nunca precisará
prestar contas de suas ações.
Lição para hoje: uma
sociedade não deve avaliar seu sucesso apenas pela riqueza, pelo poder ou pelo
desenvolvimento material, mas também pela maneira como trata as pessoas e
responde às exigências da justiça.
4. Hagar e Ishmael: o
sofrimento humano e a compaixão
Na Torá: em Bereshit
21:14–19, ADONAI ouve o clamor de Ishmael e mostra a Hagar uma fonte de água,
preservando a vida dos dois no deserto.
Nos ensinamentos de Yeshua:
em Lucas 10:25–37, a parábola do samaritano apresenta a compaixão como uma
atitude que ultrapassa barreiras sociais e religiosas. O samaritano não se
limita a sentir pena: ele se aproxima, cuida dos ferimentos e providencia
assistência.
Comparação: a narrativa de
Hagar e Ishmael e a parábola de Yeshua nos convidam a olhar para pessoas em
situação de vulnerabilidade e a responder de maneira concreta ao seu
sofrimento.
A Torá destaca o cuidado de
ADONAI; Yeshua convoca seus ouvintes a manifestarem compaixão em suas próprias
ações.
Lição para hoje: não devemos
perguntar somente quem merece nossa ajuda, mas como podemos agir para preservar
a dignidade e a vida de quem sofre.
5. Avraham e Avimelech: a
paz e o compromisso com a verdade
Na Torá: em Bereshit
21:22–34, Avraham e Avimelech estabelecem um pacto após resolverem uma disputa
relacionada a um poço.
Nos ensinamentos de Yeshua:
em Mateus 5:9, os pacificadores são chamados bem-aventurados. Em Mateus 5:37,
Yeshua ensina que a palavra deve ser confiável, sem a necessidade de
manipulações ou juramentos usados para encobrir a falta de honestidade.
Comparação: Avraham procura resolver
uma questão concreta antes de firmar o acordo. Yeshua ensina a importância de
construir relações marcadas pela paz e pela sinceridade.
Lição para hoje: a paz
verdadeira não consiste em esconder problemas, mas em enfrentá-los com
honestidade, respeito e disposição para encontrar soluções justas.
6. A prova de Avraham e o
ensino de Yeshua sobre obediência
Na Torá: Bereshit 22:1–19
apresenta a prova de Avraham, a interrupção do sacrifício de Yitschak e a
oferta do carneiro em seu lugar.
Nos ensinamentos de Yeshua:
em Mateus 7:21, ele ensina que não basta dizer que reconhecemos o Senhor; é
necessário fazer a vontade do Pai. Em João 14:15, a obediência aos mandamentos
aparece vinculada ao amor por Yeshua.
Comparação: Avraham é
apresentado como alguém cuja confiança é colocada à prova. Yeshua, por sua vez,
chama seus discípulos a uma fidelidade que se manifesta na prática, e não
apenas nas palavras.
É importante, contudo, não
transformar a experiência singular de Avraham em uma autorização para obedecer
a supostas ordens que coloquem vidas em perigo. A narrativa termina com a
preservação de Yitschak.
Lição para hoje: a fidelidade
a ADONAI precisa envolver confiança, obediência e responsabilidade, sem ser
confundida com fanatismo ou violência.
5. Comparação geral
|
Tema da
Parashá Vaierá |
Ensinamento
de Yeshua |
Aplicação
atual |
|
Hospitalidade de Avraham (Gn 18) |
Acolher o estrangeiro e o necessitado (Mt 25:35–40) |
Servir sem esperar recompensa |
|
Intercessão
por Sedom (Gn 18) |
Misericórdia e compaixão (Lc
6:36) |
Buscar justiça sem perder a
humanidade |
|
Juízo sobre Sedom (Gn 19) |
Advertência contra a indiferença e a falta de
arrependimento (Lc 17:28–30) |
Assumir responsabilidade moral |
|
Hagar e
Ishmael no deserto (Gn 21) |
Compaixão ativa (Lc
10:25–37) |
Cuidar dos vulneráveis |
|
Pacto entre Avraham e Avimelech (Gn 21) |
Paz e sinceridade (Mt 5:9, 37) |
Resolver conflitos com honestidade |
|
Prova de
Avraham (Gn 22) |
Obediência à vontade do Pai
(Mt 7:21) |
Viver a fé com
responsabilidade |
6. Conclusão do shiur —
Uma fé que se transforma em vida
A Parashá Vaierá nos conduz
por momentos de alegria, sofrimento, conflito, promessa e prova. Avraham acolhe
visitantes, intercede por uma cidade, enfrenta os limites de sua própria
compreensão, presencia o nascimento do filho prometido, participa de acordos de
paz e atravessa uma prova que marca profundamente sua história.
Ao observarmos os
ensinamentos de Yeshua no primeiro século, encontramos uma convocação
semelhante para que a fé seja visível nas atitudes: acolher o próximo, praticar
a misericórdia, buscar a justiça, promover a paz e obedecer à vontade de
ADONAI.
A relação entre a Torá e os
ensinamentos de Yeshua não precisa ser reduzida a uma simples equivalência
entre personagens ou acontecimentos. É possível reconhecer a continuidade de
princípios éticos e espirituais, respeitando o contexto próprio de cada passagem.
A grande mensagem de Vaierá é
que caminhar com ADONAI exige mais do que professar uma crença. Exige uma vida
marcada por justiça, hospitalidade, compaixão, honestidade e confiança.
Avraham nos ensina a acolher,
interceder e confiar. Yeshua chama seus discípulos a transformar esses valores
em atitudes cotidianas. Assim, o estudo da Torá não termina quando fechamos o
texto: ele continua na maneira como tratamos nossa família, recebemos o
estrangeiro, ajudamos os necessitados, resolvemos conflitos e defendemos a
vida.
Que cada um de nós examine
sua própria caminhada e pergunte:
- Tenho acolhido as pessoas como Avraham
acolheu seus visitantes?
- Tenho me preocupado com a justiça e o
sofrimento de outras pessoas?
- Minha fé produz misericórdia e boas
obras?
- Sou uma pessoa que promove a paz e
cumpre sua palavra?
- Tenho confiado em ADONAI sem abandonar
minha responsabilidade diante da vida?
Que os ensinamentos de Vaierá
nos ajudem a construir lares mais justos, comunidades mais misericordiosas e
uma vida de fidelidade a ADONAI, colocando em prática os valores que também
encontramos nos ensinamentos de Yeshua.
Shabat Shalom! Que ADONAI nos
conceda sabedoria para estudar sua Torá e coragem para vivê-la com justiça,
misericórdia e amor.
Por: Família Bnei Avraham
Sinagoga BeytDavi








